Tudo sobre osteoporose
Aqui vamos esclarecer de uma vez por todas o que significa essa doença chamada Osteoporose..
Índice
Qual o conceito de Osteoporose?
É uma doença SISTÊMICA (ou seja, não se restringe apenas aos ossos) que leva a diminuição da massa óssea, deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, levando a fragilidade do esqueleto e MAIOR SUSCEPTIBILIDADE A FRATURAS por pequenos traumas.
É importante ressaltar que fatores extra-esqueléticos devem ser levados em consideração durante a consulta médica para uma total avaliação dos riscos de fraturas (e poucas especialidades médicas abordam o tema com a devida importância).
Por esse motivo o reumatologista é o profissional mais bem preparado para um acompanhamento pleno e com resultados positivos.
Trata-se de uma doença causada por vários fatores (MULTIFATORIAL), sendo que 70% são fatores genéticos e 30% fatores ambientais.
Abaixo cito alguns fatores de risco para desenvolver osteoporose:
- Genética
- Raça
- Densidade óssea
- Dieta
- Atividade física e outros hábitos de vida
A osteoporose desempenha importante problema de saúde pública no mundo e a fratura é a principal consequência da doença.
A doença é tão prevalente quanto hipertensão arterial, diabetes mellitus e dislipidemia (problemas com colesterol). Cerca de 40% das mulheres e 25% dos homens que estiverem vivos até os 80 anos de idade terão fratura de fêmur.
Acomete mais de 70% dos idosos.
Cerca de 40% das mulheres brancas na pós-menopausa apresentam osteoporose.
Como se aborda essa doença inicialmente?
A identificação precoce dos fatores de risco é a principal meta na introdução de estratégias efetivas de prevenção da osteoporose, bem como permite melhor compreensão da enfermidade.
Tais fatores de risco podem ser subdivididos em modificáveis e não modificáveis.
Fatores de risco modificáveis:
- Baixo peso
- Uso de corticóides de forma prolongada
- Tabagismo
- Sedentarismo
- Consumo EXCESSIVO de bebidas alcoólicas
- Consumo EXCESSIVO de café
- Baixa ingestão de Cálcio alimentar
- Fatores relacionados as quedas
Fatores de risco não-modificáveis:
- Idade avançada
- Raça branca
- Raça oriental
- Fratura prévia
- História familiar de fratura
- História familiar de osteoporose
- Menor tempo de duração entre início da menstruação e a menopausa
A idade é o principal fator de risco associado com baixa densidade óssea e fratura por osteoporose, não só pela redução da massa óssea mas porque também no idoso há uma diminuição da qualidade do osso, cai a função neuromuscular e aumenta o risco de que quedas (cabe aqui uma orientação para que se pratique atividade física ao longo da vida para prevenir esses riscos!
A perda óssea acelerada ocorre nos 5 primeiros anos após a menopausa, portanto nesse período é fundamental uma avaliação reumatológica adequada.
O ideal é que mulheres, principalmente, façam acompanhamento com reumatologista antes mesmo de chegar a data do climatério ou da menopausa!!
Peso: o baixo peso é um fator de risco para desenvolvimento de osteoporose, bem como a perda acentuada de peso como por exemplo em pacientes após cirurgia bariátrica.
Fratura prévia: o risco de novas fraturas é 3 vezes maior em quem já teve uma fratura por osteoporose prévia, INDEPENDENTEMENTE DA DENSITOMETRIA ÓSSEA!
Dieta: a ingestão pobre em cálcio (leite e derivados) e baixa em vitamina D também é um fator de risco para fraturas osteoporóticas.
Quedas: aqui, vale uma pausa para falar das quedas. Trata-se de um fator muito importante, principalmente na terceira idade, quando os reflexos já não estão tão aguçados e o uso de medicamentos pode favorecer um tombo, como por exemplo, remédios para dormir.
A osteoporose pode aumentar a mortalidade?
Sim. Sabe-se que 15 a 30% dos pacientes com fratura de fêmur morrem durante o primeiro ano após o evento, geralmente por complicações decorrentes da fratura.
Além disso, os pacientes podem ficar completamente dependentes para as atividades de vida diária após uma fratura vertebral ou de fêmur.
Medidas para minimizar o risco de fraturas podem ser facilmente implementadas por meio de equipe multidisciplinar e envolvendo o reumatologista, educadores físicos, nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos.
O que é a Densitometria?
A Densitometria óssea é um exame que auxilia no diagnóstico da Osteopenia e da Osteoporose.
Ela usa Raios X e aplica um conceito de absorciometria óssea duoenergética por raios X, quantificando a Densidade Mineral Óssea.
Não se preocupe, a densitometria óssea usa baixíssimas doses de radiação, o que a torna inofensiva quanto a possibilidade de causar danos ao organismo.
Poucos médicos sabem avaliar e até indicar uma densitometria óssea! Existem muitos dados e características nesse exame que são de extrema importância, e isso requer um conhecimento por parte do médico que poucos possuem.
Existem três sítios de avaliação para a definição da densidade óssea:
- Fêmur proximal
- Coluna lombar
- Rádio 33%
As utilidades da densitometria são as seguintes:
- Estabelece o diagnóstico da Osteoporose, segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde;
- Determina o risco de fraturas relativo nas várias regiões esqueléticas;
- Auxilia na identificação de candidatos para intervenção terapêutica, associada aos fatores de risco clínico;
- Monitora mudanças na massa óssea através do tempo na evolução natural da doença ou durante terapia;
- Aumenta a aderência a diferentes tratamentos.
Algumas dicas para se fazer a Densitometria Óssea
Alguns cuidados são importantes para se fazer o exame:
- Exames seriados devem ser feitos sempre no mesmo aparelho. Exames feitos em aparelhos diferentes não são comparáveis!!!;
- O técnico densitometrista deve posicionar o paciente corretamente, senão o exame fica completamente alterado para avaliação correta;
- Os aparelhos devem ser calibrados na clínica diariamente;
- Cuidado com artefatos que possam atrapalhar o exame como ziper, botões e comprimidos de cálcio (o paciente não deve tomar o Cálcio no dia do exame, podendo tomar após a realização da densitometria);
- Gravidez é contra-indicação absoluta para o exame.
Só existe a Densitometria para acompanhar a osteoporose?
Na verdade existem outros marcadores que podem ser avaliados no sangue ou na urina e que são usados pelo especialista em osteoporose para avaliar a resposta ao tratamento. São usados no acompanhamento do paciente com doença óssea, principalmente a osteoporose.
Temos os marcadores de formação óssea:
- Fosfatase Alcalina Óssea
- Osteocalcina
- Pró-peptídeo N-terminal do colágeno tipo I
E temos os marcadores de reabsorção óssea:
- Desoxipiridinolina
- NTX
- CTX
Osteoporose na pós-menopausa
Durante toda a vida o nosso osso passa por constante reabsorção e formação óssea, num equilíbrio constante.
Em determinado momento o osso removido pela reabsorção é pouco substituido pela formação óssea, gerando uma perda óssea e uma menor resistência.
Chamamos de Pico de Massa Óssea à máxima densidade e resistência óssea que o indivíduo pode atingir e é alcançado entre os 20 e 30 anos de idade. Após os 30 anos, a remoção começa a ser maior que a reposição, ou seja, a retirada é maior que o depósito.
Na menopausa, que ocorre entre os 45 e 55 anos de idade, as mulheres perdem tecido ósseo rapidamente.
No sexo feminino a perda óssea é muito maior do que nos homens, devido a queda da produção ovariana de estrogênios, os quais tem ação protetora sobre o osso.
Ocorre uma perda de 2 a 5% por ano após a menopausa, nos seus primeiros 5 a 6 anos, e continua com queda, em menor escala, por toda a vida, atingindo novamente uma aceleração após os 70 anos de idade.
Como se dá o tratamento da Osteoporose pós-menopausa?
O tratamento da osteoporose visa o aumento da densidade óssea e a prevenção de fraturas.
Para tanto as orientações higienodietéticas gerais devem ser recomendadas desde o início do tratamento ou mesmo desde a infância como medidas preventivas.
- Ingestão adequada de Cálcio e Vitamina D:
Importante que seja ingerida uma quantidade de 1.200mg de Cálcio por dia.
Os laticínios são a maior fonte de cálcio na alimentação.
Veja o equivalente em cálcio na dieta para cálculo da dose diária total:
- 1 copo de leite tem 300mg de Cálcio;
- 1 copo de iogurte tem 400mg de Cálcio;
- 1 fatia de queijo (30g) tem 200mg de Cálcio.
Quando o indivíduo não consegue alcançar os níveis recomendados de cálcio alimentar ou aqueles que apresentam intolerância à lactose, a suplementação com sais de cálcio constitui uma medida preventiva útil e possui ação coadjuvante no tratamento da osteoporose, devido à sua segurança, tolerabilidade e baixo custo.
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A Vitamina D:
É fundamental para a absorção do cálcio e performance muscular.
A dose de ingestão diária é de 800 a 1000UI para o equilíbrio orgânico e manter os níveis acima de 30ng/mL o que é desejado.
Os principais alimentos que contêm vitamina D são:
- Gema de ovo
- Peixes de água salgada (salmão, atum, sardinha)
- Frutas secas (nozes, amêndoas, avelãs, castanha-do-pará)
- Fígado
2.Atividade física regular: altamente recomendado é praticar exercícios regularmente, contra a gravidade e exercícios resistidos.
É importante frizar que o benefício do exercício acaba quando se pára de praticá-lo!!! Exemplos de atividade contra gravidade são caminhada, corridas, Tai-Chi, subir escadas, dansar e jogar tênis. Exempolos de atividade contra resistência são realizadas com pesos (musculação) e Pilates.
3.Prevenção de quedas: vários são os riscos para aumentar as quedas. Vamos listar alguns para que sejam eliminados ou atenuados quando não se puder cessá-los por completo:
- Pouca iluminação
- Obstáculos no caminho
- Tapetes soltos
- Ausência de barras nos banheiros
- Pisos escorregadios
- Idade
- Arritmia
- Baixa acuidade visual e uso de óculos bifocais
- Incontinência e urgência urinárias
- Hipotensão postural
- Baixa mobilidade
- Medicamentos que causam sedação
- Desnutrição
- Fraqueza muscular
- Baixo equilíbrio
4.Ingestão de álcool e tabagismo: o hábito de fumar deve sempre ser desencorajado; a ingestão de três ou mais doses de bebidas alcoólicas por dia é prejudicial ao osso e leva ao risco aumentado de quedas associadamente.
5.Tratamento Farmacológico: aqui, temos os medicamentos que são usados para auxiliar no tratamento da osteoporose, listados abaixo:
- Terapia de Reposição Hormonal – geralmente prescrita pela glinecologia ou pela urologia
- Bisfosfonatos – podem ser usados por via oral ou por via venosa. Alguns protegem contra fraturas vertebrais e não vertebrais (esses devem ser os de escolha), mas outros protegem apenas contra fraturas vertebrais (não devem ser os de escolha – e olha que tem muita gente por aí tomando estes!!!)
- Teriparatida
- Denosumabe
- Romozosumabe
- SERM (Selective Estrogen Receptor Modulador)
Cada classe de medicamento tem sua indicação e seu perfil ideal de paciente para que seja usado. Quem melhore define o tratamento medicamentoso é o seu reumatologista, após uma avaliação minuciosa e individualizada.
Tenho osteoporose, e agora?
Calma!!!
Se você descobriu que tem ostoeporose terá que adequar seu estilo de vida e tomar alguns medicamentos, mas o reumatologista está aí para te ajudar. Conte conosco para uma vida mais saudável e prevenir futuros problemas de saúde!!!!
Fica a dica: lembre-se do reumatologista para te auxiliar em suas dores!!!